De repente o horizonte anunciou um temporal.
As árvores balançaram suas cabeleiras pondo muitos ninhos ao chão.
Depois o silêncio e, no horizonte, o manto cinza começava a se estender sobre o oceano em nossa direção.
... e nenhum pássaro voou.
Tudo era calmaria: assustador.
Víamos o céu a se matizar do cinza ao chumbo, do chumbo ao breu.
... e veio vindo, silencioso, rápido, deslizando como cobra ao bote.
Assustados, paramos e aguardamos o fim com o coração batendo no mesmo compasso dos relâmpagos que, agora, clareavam o que já não se via.
Ficamos petrificados, depois impotentes como folhas ao vento.
… e o silêncio virou sinfonia de tambores e da sinfonia, o caos.
... e agora estava sobre nossas cabeças e gritava e gargalhava e chicoteava e nos sacudia e nos horrorizava
... e perdendo a visão, entramos a entender o inferno, a nos questionar, nos arrepender, a nos purificar, a nos abençoar.
... e aquele manto nos cobriu.
... e nada mais soubemos da vida.
Autora: Rita Marília
27/12/2017

Foto autoral de Rita Marília





