Poema

Ex-Cada

Simples assim é o viver:
Sinuoso
Subindo sempre
Sentindo emoções
Sensações
Subindo sempre
Sem degrau de descida
Só ilusão e subida
Sem descanso, só fadiga.
No último
A queda fria
Vazia.

Saudade
Dos primeiros degraus
Da subida!

Simples assim é o viver
Outros Autores · Poema · Prosa

Noite Na Taverna – Álvares de Azevedo

” …
—Quem eu sou? na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, a cada instante mudando de nome e de vida. Fui poeta e como poeta cantei. Fui soldado e banhei minha fronte juvenil nos últimos raios de sol da águia de Waterloo. Apertei ao fogo da batalha a mão do homem do século. Bebi numa taverna com Bocage — o português, ajoelhei-me na Itália sobre o túmulo de Dante e fui a Grécia para sonhar como Byron naquele túmulo das glórias do passado. — Quem eu sou? Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta, sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta. Sentei-me a sombra de todos os sóis, beijei lábios de mulheres de todos os países; e de todo esse peregrinar só trouxe duas lembranças — um amor de mulher que morreu nos meus braços na primeira noite de embriaguez e de febre — e uma agonia de poeta… Dela,
tenho uma rosa murcha e a fita que prendia seus cabelos. Dele olhai… “

Parte do conto “Noite na Taverna” de Álvares de Azevedo, extraído do site
http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/noitenataverna.pdf

Noite na Taverna é uma antologia de contos do autor ultrarromântico brasileiro Álvares de Azevedo sob o pseudônimo Job Stern. Foi publicada postumamente, em 1855; três anos após a sua morte.
( https://pt.wikipedia.org/wiki/Noite_na_Taverna )

Em seu velório foi lido o poema abaixo que compôs alguns dias antes

SE EU MORRESSE AMANHÃ

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

https://www.pensador.com/frase/NjA3NDEx/

Álvares de Azevedo
Nasceu a 12.09.1831 em São Paulo e morreu em 25.04.1852 no Rio de Janeiro, aos 20 anos de idade

Outros Autores · Poema

Por Quem Foi Que Me Trocaram

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.

Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
E que o tens para mo dar.

Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim? 



FERNANDO ANTÓNIO NOGUEIRA PESSOA foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Fernando Pessoa é o mais universal poeta português.
* Nasceu a 13 de junho de 1888, Lisboa, Portugal
+ Faleceu a 30 de Novembro de 1935, Lisboa, Portugal.


Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990).  – 19. http://arquivopessoa.net/textos/4230
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

Outros Autores · Poema

Kremmer

Foi um dia de kremesse.
Depois de rezá três prece
Pra que os santo me ajudasse,
Deus quis que nós se encontrasse
Pra que nós dois se queresse,
Pra que nós dois se gostasse.
Inté os sinos dizia
Na matriz da freguezia
Que embora o tempo corresse,
Que embora o tempo passasse,
Que nós sempre se queresse,
Que nós sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse
Com a voz cheia de meiguice
Nos teus ouvido, bem doce:
Rosinha si eu te falasse...
Si eu te beijasse na face...
Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?
Vancê não falou comigo
E eu com vancê, pro castigo,
Deixei de falá também,
Mas, no decorrê dos dia,
Vancê mais bem me queria
E eu mais te queria bem.
— Cabôco, vancê não presta,
Vancê tem ruga na testa,
Veneno no coração.
— Rosinha, vancê me xinga,
Morde a surucucutinga,
Mas fica o rasto no chão.
E de uma vez, (bem me lembro!)
Resto de safra... Dezembro...
Os carro afundando o chão.
Veio um home da cidade
E ao curuné Zé Trindade
Foi pedi a sua mão.
Peguei no meu cravinote
Dei quatro ou cinco pinote
Burricido como o quê,
Jurgando, antes não jurgasse,
Que tu de mim não gostasse,
Quando eu só amo a vancê.
Esperei outra kremesse
Que o seu vigário viesse
Pra que nós dois se casasse.
Mas Deus não quis que assim sesse
Pro mais que nós se queresse
Pro mais que nós se gostasse. 
OLEGÁRIO MARIANO

OLEGÁRIO MARIANO – Recife, 24 de março de 1889 – Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1958. Foi poeta, político e diplomata brasileiro. Foi eleito em 23 de dezembro de 1926 para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras. Era primo do poeta Manuel Bandeira ( 1886 – 1968 ). Embaixador do Brasil em Portugal entre 1953 e 1954 . Em 1938, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, em substituição a Alberto de Oliveira, detentor do título depois da morte de Olavo Bilac, o primeiro a obtê-lo. Nas revistas Careta e Para Todos, escrevia sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos. Ficou conhecido como “o poeta das cigarras”, por causa de um de seus temas prediletos. 
Magnum opus: Cantigas de encurtar caminho: poemas

Retrato de Olegário Mariano , 1928, Candido Portinari
Reprodução fotográfica Projeto Portinari – extraído do site https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2797/olegario-mariano

OLEGÁRIO Mariano. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2797/olegario-mariano&gt;. Acesso em: 11 de Jan. 2020. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

Outros Autores · Poema

Anjinho

Não chorem... que não morreu!
Era um anjinho do céu
Que um outro anjinho chamou!
Era uma luz peregrina,
Era uma estrela divina
Que ao firmamento voou!

Pobre criança! Dormia:
A beleza reluzia
No carmim da face dela!
Tinha uns olhos que choravam,
Tinha uns risos que encantavam!...
Ai meu Deus! era tão bela.

Um anjo d'asas azuis,
Todo vestido de luz,
Sussurrou-lhe num segredo
Os mistérios doutra vida!
E a criança adormecida
Sorria de se ir tão cedo!

Tão cedo! que ainda o mundo
O lábio visguento, imundo,
Lhe não passara na roupa!
Que só o vento do céu
Batia do barco seu
As velas d'ouro da poupa!

Tão cedo! que o vestuário
Levou do anjo solitário
Que velava seu dormir!

Que lhe beijava risonho
E essa florzinha no sonho
Toda orvalhava no abrir!

Não chorem! lembro-me ainda
Como a criança era linda
No fresco da facezinha!
Com seus lábios azulados,
Com os seus olhos vidrados
Como de morta andorinha!

Pobrezinho! o que sofreu!
Como convulso tremeu
Na febre dessa agonia!
Nem gemia o anjo lindo,
Só os olhos expandindo
Olhar alguém parecia!

Era um canto de esperança
Que embalava essa criança?
Alguma estrela perdida,
Do céu c'roada donzela...
Toda a chorar-se por ela
Que a chamava doutra vida?

Não chorem... que não morreu!
Que era um anjinho do céu
Que um outro anjinho chamou!
Era uma luz peregrina,
Era uma estrela divina
Que ao firmamento voou!

Era uma alma que dormia
Da noite na ventania
E que uma fada acordou!
Era uma flor de palmeira
Na sua manhã primeira
Que um céu d'inverno murchou!

Não chorem! abandonada
Pela rosa perfumada,
Tendo no lábio um sorriso,
Ela se foi mergulhar
- Como pérola no mar -
Nos sonhos do paraíso!

Não chorem! chora o jardim
Quando marchado o jasmim
Sobre o seio lhe pendeu?
E pranteia a noite bela

Pelo astro ou a donzela
Mortos na terra ou no céu?

Choram as flores no afã
Quando a ave da manhã
Estremece, cai, esfria?
Chora a onda quando vê
A boiar um irerê
Morta ao sol do meio-dia?

Não chorem!... que não morreu!
Era um anjinho do céu
Que um outro anjinho chamou!
Era uma luz peregrina,
Era uma estrela divina
Que ao firmamento voou! 

Manuel Antônio Álvares de Azevedo ( São Paulo, 12 de setembro de 1831 – Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852 ) Foi um escritor da segunda geração romântica ( ultra-romântica, byroniana ou mal-do-século ), contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro, autor de Noite na Taverna .

Ver mais em
https://alvares-deazevedo.blogspot.com/2009/01/anjinho.html

Poema

Espaço

No livro
Cabe
Uma dor, uma tristeza
Uma palavra, uma vontade
Um cometa e uma estrela.
 
No livro
Cabe
Teu beijo na partida
Teu olhar na minha lágrima
Teu corpo na minha vida
Teu intangível...
              ... minha sombra.
 
No livro cabe o mundo.
No livro cabe o silêncio do mundo
O rufar dos tambores
O tufão, o furacão
Apocalipse
Só não cabe o nosso adeus.

Imagem de Rita Marília
Poema

Anjo Preto

Na noite escura
Escura como breu
Eu
Escura
Em pura loucura.
 
Mas o anjo
Ah o anjo!
Branco, alvo
Longe.
 
No dia escuro
Eu, branca
O anjo, preto.
 
No pôr do sol
O sol
O sol e eu.

………………….
Foto: Rita Marília T. Signorini
#ritamariliats

Poema

Mais um Poema Triste

Quero fazer um poema
Que seja só eu
Que tendo início
No fim, o Morfeu.
 
Um poema tristonho
Comprometido com a dor
Um poema caduco
Como num galho, a flor.
 
Quero fazer um poema
Que diga todos meus “Ais”
Que diga todos meus “Oh!s”
Escondendo meus ideais.

Um poema de vida inteira
Um poema assim a escorrer
Pingo a pingo
De uma geleira!

 

 

 

 

Com muito orgulho a poesia acima foi publicada à pagina 57 da revista eletrônica A ILHA – Ler aqui

Poema

Amor por Rodrigo

Hoje descobri que te amo
Não sabia antes, hoje sei.
Descobri o véu sobre o meu amor por ti
E todo dia re-velarei o meu amor por ti.

Amar-te no infinito silêncio dos segundos
Quando contigo no abismo das horas impróprias, vertiginosas
Tocar meus dedos toscos em tua delicada alma
Encontrar minh’alma em outro corpo: meu corpo sem alma
Vida!

Ah!
Estar ao teu alcance, estares ao meu lado
Enrodilhar-nos em emoções vagas, fluídicas, apoteóticas
Cavalgar pelos amores incompreendidos
Delirar de mãos dadas com o teu sentir, com o teu emocionar.

Delirar!
Delirar!
Delirar!
Sim, o paraíso está em sons poéticos de beleza
No silêncio da contemplação
Delírios de sentir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30.09.2018

A Rodrigo De Haro, amigo que, em certo dia, deu-me momentos de pura contemplação, enchendo minha alma de luz poética, ofereço estes dizeres que verteram de emoções nascidas daquele nosso encontro.

Poema

Qualquer Coisa

Qualquer coisa é um nada
Que devagar
Lentamente
De nós vai se apoderando
Operando
Abrindo, fechando
Se fazendo
Se tornando ser
Crescente
A nos envolver
Docemente
Semente
Eternamente.

Muito honrada fiquei ao ser escolhida para compor a Revista Eletrônica Suplemento Literário A ILHA, numero 146, página 31.
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