Primeiro Dia
Hoje
Nada tenho
Para escrever
Segundo Dia
Hoje
Ainda nada tenho
Para escrever
Terceiro Dia
Hoje
Pensei algo:
Esqueci.
Autora: Rita Marília

Primeiro Dia
Hoje
Nada tenho
Para escrever
Segundo Dia
Hoje
Ainda nada tenho
Para escrever
Terceiro Dia
Hoje
Pensei algo:
Esqueci.
Autora: Rita Marília

Encontrei um livro na minha estante.
Ao olhar sua lombada, percebi que nunca mais o havia tocado: intacto, petrificado pelo tempo.
Olhei-o com ternura: o tempo passara por nós, eu em rebuliço, ele em silêncio.
Contemplei seu rosto: imutável. Ele não diria o mesmo de mim.
Nunca nos abrimos: eu não li suas entrelinhas, ele não leu meus olhos.
Tive medo de abri-lo. O que escondia? Verdades ou ilusões? Promessas?
E ele, ao me abrir, o que encontraria? Nuvens, esperanças ainda no berço?
Quem somos.
Sem abri-lo, deduzi: ele, pedra; eu, rio.
Caminhei com tremor até o sofá.
Sentei-me e, em silêncio, abracei-o.
Éramos dois estranhos.

Estava sentada em um banco da praça quando uma folha de jornal voou em minha direção.
O papel era fino, mal impresso, com a tinta ligeiramente borrada nas bordas. Algumas linhas pareciam desalinhadas, como se tivessem sido publicadas às pressas, sem revisão ou conferência adequada.
Em letras garrafais, irregulares, o título ocupava toda a primeira linha da página, que transcrevo abaixo:
_________________________________________
Palavras Cavam Túnel para Fugirem
Ontem, a polícia descobriu um túnel cavado, pronto e finalizado, que serviria possivelmente para um grupo de palavras fugirem do dicionário, conforme informações preliminares ainda não confirmadas de forma oficial.
O delegado, em entrevista exclusiva para nós presentes e para todos os demais veículos de comunicação em geral, declarou dizendo que algumas palavras, revoltadas pelos maus-tratos e pelo abandono que vêm sofrendo há tempos, rebelaram-se e, amotinadas entre si, buscavam fugir no dia de finados, o que ainda está sendo verificado se procede ou não procede.
O delegado nada mais soube ou quis dizer, ou não quis dizer porque não sabia, o que também não ficou muito bem esclarecido direito até o atual momento presente.
A investigação prossegue em andamento contínuo, sendo que nossos repórteres apuraram previamente de forma inicial que a mais perigosa facção criminosa atualmente existente dentro do dicionário, liderada pela palavra Ética, está totalmente envolvida, direta ou indiretamente, de alguma forma, no caso.
Outros nomes suspeitos que estão sob suspeita são: Moral, Respeito, Civilidade e outros termos mais específicos e tecnicamente mais adequados, que não puderam ser devidamente mencionados por não sabermos ao certo como nomeá-los no momento da apuração.
Nossos repórteres não tiveram nenhuma informação concreta confirmada oficialmente sobre a morte da Honestidade, ocorrida dentro das páginas internas do dicionário, que está sendo mantida sob absoluto segredo sigiloso. Cogita-se, sem a confirmação confirmada, que ela possa ter sido espancada e torturada até a morte fatal.
Informações não confirmadas indicam que palavras mais complexas, como as relacionadas às ideias de integridade e conduta adequada, também teriam deixado o dicionário, o que pode explicar a dificuldade da reportagem em utilizar palavras mais certas aqui.
O delegado não quis falar sobre o caso para não atrapalhar o andamento em andamento das investigações, que prosseguirão assim que um novo Chefe do Departamento for nomeado, empossado e assumir o caso oficialmente, o que deve ocorrer no prazo máximo de trinta anos (30 anos), prazo este que não deverá interferir no andamento em curso das investigações em andamento.
Fontes altamente sigilosas, que pediram anonimato não identificado, informaram a nossos repórteres que mais fugas e mortes estão sendo arquitetadas, planejadas e organizadas dentro e fora do dicionário, simultaneamente ao mesmo tempo.
Também foi informado que outro grupo, grande, expressivo e bem armado, chefiado pela Ganância, aproveitando-se da situação atual em curso no momento presente, está preparando uma grande chacina de grandes proporções, tendo como alvo principal o grupo encabeçado pela Tolerância com seus comparsas associados; havendo ainda informações, não confirmadas mas já amplamente comentadas, de que, não ficando claro se por parte deste grupo ou daquele anteriormente mencionado, já estariam em processo de negociatas negociais com a quadrilha da Intolerância, visando se pouparem preventivamente da morte previamente anunciada.
Ninguém mais quis dar entrevista no momento atual, mas nossos repórteres, bravos homens da notícia, profissionais da área jornalística em geral, continuarão investigando por conta própria e autônoma, trazendo novas informações futuras assim que possível e quando houver novas novidades.
Ficamos no aguardo de novas informações futuras.
Dobrei a folha com cuidado. Faltavam palavras ali, mas não apenas ali.

Imagem: Composição visual criada por IA Gemini a partir de conceito autoral
Formiga peralta
Subiu, subiu
Subiu na colher
Escorregou…
Caiu! Caiu!
Que bela piscina!
Gritou a formiga
Nadava, nadava
Comia, comia
Comia e nadava
Nadava e comia
Ficou o dia todo
Se lambuzou
Patinhas, carinha
Grudou, grudou
Cristalizou!
Dormiu a formiga
No açucareiro
Mas quando acordou
Tava no formigueiro
Inteiro!

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Pão pão barrigão
Fermento no pão
faz pãozão
come quentinho
dá barrigão
vovó dizia
pro seu João
Pão pão
pão barrigão
Pão pão
pão barrigão...

No poleiro canta o galo
Para a moça da janela
"Ouça bem moça malvada:
Não vou hoje p'ra panela".
E cantando todo dia
Vai o galo bem feliz
Vendo que da morte fria
Vai fugindo por um triz
O sol levanta bem cedo
O galo é seu aprendiz
"Vou viver eternamente"
Canta assim o infeliz.

Também na Revista eletrônica “Escritores do Brasil” número 5, à pagina 73 editada em 30.07.2019
Segue link: Leia aqui
Vô pedi a Santantônio
Nesse mês que é o seu
Pra ranjá um namorado
Que seja todinho meu
Não precisa sê bonito
Elegante ou coisa e tar
Só precisa tê carinho
Prá mode me conquistar
Pode sê preto, amarelo
Grandão ou pequeninote
Só não pode fazê feio
Na hora de dançá o xote
Pode falá de mansinho
Pode falá rastadinho
Só não pode ficá mi oiando
Sem sorri um bocadinho
Pode inté usá gravatinha
Bombacha ou clavinote
Só não pode vin cherando
A mulher no seu cangote
Inté pode facão na cinta
Lenço branco ou encarnado
Só não pode comê angú
E fica ajumentado.
Santantônio conseguindo
Um noivo prá modi eu casá
Eu compro uma capelinha
Prá Ele ir lá morá
Todo dia dô uma vela
Pru seus pé alumiá
Verde, encarnada, azur
Prá Ele nus bençoá.


Começa em Mi
Completa em Si
Estando Só
Sentindo Dó
Se vai a Ré
Aqui ou Lá.
Fá
Cedo cedo coração com sede nessa sede
Cedo cedo nessa sede coração com sede
Cedo nesta sede cedo coração com sede
Cedo cedo sede dum coração com sede
Coração com sede cede cedo sua sede
Cedo coração com sede cede sua sede.

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Vovô viu a uva
A uva não viu vovô
A uva não uiva
O cão de vovô uiva
Vovô viu a noiva na curva
A noiva de luva uiva
Vovô não usa luva
Noite de chuva
Vovô uiva
Morre vovô na curva.
Vovô não mais verá a uva
Nem a noiva de luva

25.10.2016
A poesia também foi editada à pagina 19 do Suplemento Literário A ILHA
número 144 de março/2018 – Ler Mais
A Pedra e o Caminho
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio da pedra tinha um caminho
No caminho tinha meia pedra
Tinha um meio entre a pedra e o caminho
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Quando a pedra atrapalhou meu caminho
Meu caminho que não era de pedra
Nem de meias pedras, nem de meios caminhos
Recadinho para Mário Quintana
Meu tempo
Também passará
Passarinho!
Apenas penas
Ficarão
Do meu caminho
Entre Pedras e Penas
A melhor parte da chegada
É o caminho
Com pedra ou sem pedras
Com pena ou sem penas
Um caminho de pedras e penas.
Minha pena corre
E não tropeça na pedra

Há encontros que não são planejados — acontecem.
Um poema chama outro. Uma pedra chama um caminho. Uma pena pousa onde antes havia obstáculo. O que começou como diálogo com vozes que admiro tornou-se percurso próprio. Percebi que os três textos não estavam lado a lado por acaso: eles se movem. Do peso à leveza. Da lembrança à escrita. Do tropeço à maturidade. Hoje assumo essa travessia. Entre pedras e penas, a palavra segue. E não tropeça.

Amanheceu para nós
Para fazer novos nós
Ou desfazer alguns nós
Na conivência de nós.
Nós que amamos
Nós que precisamos
Nós que desejamos
Nós que abandonamos
Nós que não queremos.
Nós em nós
Nós, só nós
Do choro ao silêncio
Eternamente
Nós.
- eternamente sós -
(Rita Marília- 08.12.2018)

Sentada na pedra
Eu e uma formiga
Verão acabou
Sentada na pedra
Eu e uma formiga
Outono passou
Sentada na pedra
Eu e uma formiga
Inverno findou
Sentada na pedra
Eu e uma formiga
Primavera, Ah!
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Eu sou uma pandorga
A balançar pelo ar
E você é o menino
A me levar a voar
Olha, solta, estica, larga
Corre atrás e torna a puxar
E assim você menino
Faz a pandorga bailar
Lá longe muito distante
Olhos atentos aos céus
Todos olham a pandorga
Ninguém olha os olhos seus.
Fiz um vestido verde
Para meus sonhos
Cobrir
Um vestido rodado
P’ro vento do acaso
Verde como teus olhos
Sedoso como teus beijos
Caía-me bem
Como o teu amor
Pendurado
Sofre os males do tempo
Mofa
Morre
CASTIGO
Mira teu castigo
Eu
Mira meus olhos
Teus
Mira minha boca
Oca
Mira meu pescoço
Colosso
Mira meus seios
Cheios
Mira minha cintura
Pura
Mira minha pele
Desvele
Mira meu ventre
Entre
Mira!
Mira e atira.

Senhor!
Não olheis assim para mim
Minhas rugas denunciam minha idade
Mas, nem de longe, o meu desejo
Pois que pode desnudar minha volúpia
E buscar em vós o meu prazer.
Senhor!
Ficais assim a instigar-me?
Não sabeis então
Que navega em vossos olhos
A pretensão de minha boca?
Ora, Senhor meu!
Não fiqueis a bulir
Quem quieta está
Quem sob o disfarce da
Indiferença
Cobre com panos gélidos
A volúpia
Olhais, por certo, as mais moças
Para mergulhardes no imaginário
Onde o espelho do tempo vos mentirá
Dizendo quem já não sois
Eu, Senhor meu, miro vossa estampa
Vejo vossas rugas
Percebo vossos contornos
E imagino
Ainda possuirdes
Em vossas mãos o meu desejo
A descobrir que a vida,
Em velhas curvas sem beleza,
Também pode levar-me,
Em queda livre, ao prazer
Por isso Senhor meu!
Conservai o vosso olhar no meu decote
E percebei
Minha respiração ofegante
Lentamente ofegante
Misteriosamente ofegante
E concedei-me
Bulir vossa íris
Massagear vossa pupila
E ver-me, e sentir-me
Penetrada
Pelo vosso olhar.
Então, Senhor meu!
Grávida de vossos desejos
Irei embora
Vaidosa e confiante.

Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Feliz por ter sido incluído na revista “Chicos” conforme mensagem recebida
Qualquer coisa é um nada
Que devagar lentamente
De nós vai se apoderando
Pulsando
Abrindo, fechando
Se tornando
Ser
Crescente
A nos envolver docemente
Semente
Eternamente

No seco do meu coração
Plantei.
Nasceu cacto
Regador sem furo
Reguei
Sol forte
Protegi
A mim e a meu cacto
Desmaiei.
Alguém
Levou meu cacto
Fiquei no seco.
No seco fiquei.
Abri a mão
Ela voou
Livre
Virei saudade.


Eram duas estrelas
Uma do céu
Uma do mar
Que na areia se amavam
O mar ciumento chegou
Galopando em suas vagas
Separou
Quem na areia se amava
Nunca mais!
Nunca mais!
O mar rugindo espumava.
Quem me olha de soslaio?
Entre
a casa é sua
Não repare no abandono
Sem quadros nas paredes
Sem flores nos vasos
Sem velas acesas
As paredes
guardam contornos
e teias
Vem
empurre as cortinas
Abra as janelas
Deixe o sol entrar
Aqueça este ambiente fúnebre
Dançar?
Não posso
O silêncio
me paralisou
ocupou todos os espaços
Já vai…
Fique
Preciso de luz
Fica
Fica
Fica...

PASSOS PEQUENOS
Quando, em silêncio, vislumbro
O amanhã triste, escuro
Fecho a porta, acendo a vela
E me ponha a bailar
Seguro na mão do vento,
Na minha cintura, o tenpo
Me conduzindo vai lento
Nos frágeis passos que tento
E, olhando meus pés, eu percebo
Meus passos, assim tão pequenos
Só meus sonhos podem voar
24.03.2020

Foi assim:
Num dia qualquer, Sancho Pança chamou-me para juntos regalar o bofe com os manjares de seu bornal. Aceitei.
Mal me ajeitava, surgiu diante de mim um senhor — não, um Duque — que, após uma mesura caprichada, apresentou-se:
— Ilustre dama, deixai que me apresente. Sou Dom Quixote de La Mancha, cavaleiro da Triste Figura, vosso criado e, se me permitis, vosso guia nesta jornada.
Encantaram-me suas mesuras. Alegraram-me os trajes. Já a fala… exigia fôlego.
— Senhor — respondi —, com tantas honras me abasteço em seus dizeres, mas creio que sozinha não darei conta nem dos saberes que dizem existir no lombo de seu cavalo.
Ele ergueu o queixo, seguro de si:
— Senhora, a espera sem espora é justa e necessária. Aconselho-a a aceitar o convite que virá — mais ligeiro que a mula de Sancho, ainda que não tão veloz quanto meu Rocinante.
E antes que eu pudesse insistir, partiu, seguido de seu fiel escudeiro.
Fiquei entre o livro e o mundo, à espera do tal convite.
- Podemos ler juntas?
Ergui a cabeça ... como quem volta
CHÁ DAS CINCO
Três meninas faceiras
Sentam-se à mesa
Para o chá das cinco
Riem de tudo
De Sancho
De nada
Falam
De si
Do amor
Da Triste Figura
À noitinha
Retornam à casa
Nutridas de pôr-do-sol
Saudades!

Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Saudades!

Tentei matar
O poeta que mora em mim
Descobri que o poeta
Há muito
Já havia matado a mim
E que eu
Eu em mim
Sou
Apenas sou
Um saco de ossos tatalando
Que o poeta vai arrastando.
Imagem feita por IA
Rua! Estou na rua. Estou como a folha de uma árvore. Sou da rua.
Meu espírito está sufocado; minha alma clama por voar.
Não tenho escrito.
Estou superlotada de silêncio. Preciso escrever.
Já perdi todas as frases.
Canso-me das pessoas; preciso de solidão.
Perdi-me. Estou no meio de um redemoinho.
Não sou ninguém.
Onde estou? O que sinto? Quem eu quero ser ou continuar a ser?
Viver ou morrer?
Caio no poço.
Emergirei. Salvar-me-ei.
Voarei além de mim, até a ponta de minhas asas.
Preciso ficar só, muito tempo só.
Minhas palavras são vazias, minhas frases, sem sentido, e meu texto, desconexo.
Mas preciso expulsar este nada.
Preciso escrever, escrever, escrever, como preciso respirar.
O tempo tem se formado sem que eu transborde.
Nada mais tenho a dizer.
Vou embora.
Talvez, em outro lugar, eu esteja
Delira alma sonhadora
Já não é sem tempo
Deves descobrir teu sonho
E quiçá vê-lo morrer
Em tua histeria.
Delira
Que em ti
Tudo é fugaz
Mas toma cuidado
Que talvez
Por tão antigo
Enraizado
Em tua carne
Esteja
Delira, alma infante
Já não é sem tempo
Cumprires tua sina


Nem sei por que eu escrevo
Escrevo porque já senti
Um fogo imenso infinito
Rodando dentro de mim
Escrevo porque não posso
Falar do que vai em mim
Só palavras escritas podem
Levar o meu querubim
E sigo neste deleite
Sabendo quem me traduz
O som de uma palavra
Na boca de quem a conduz
Não posso fugir confesso
Dos sons desta balada
Prefiro morrer à míngua
Que ser dela enviuvada
Passei um tempo infeliz
Longe da valsa dolente
Meus ais todos ausentes
Com olhos de meretriz
Disseram-me: "vai por aqui"
Ou talvez "vá por ali"
O mundo a nada conduz
Eu pobre morria em cruz
Nada de belo olhei
Nada de sonho sonhei
Nada aqui eu conquistei
Nada ali eu revelei
Tristes dias de clausura
De boca amarga fiquei
Minhas palavras trancadas
Nos sonhos que não sonhei
Agora voem meus sonhos
Estendam as asas, meus ais
Buliça, minha alegria
E da pena vos derramais
Nunca mais volto a cabeça
Nunca mais mulher de sal
Hoje sou o sol e a lua
Hoje sou na pedra a cal.
Se a tristeza batesse à minha porta, com um tímido sorriso eu abriria e a deixaria entrar. Convidaria para sentar no sofá da sala; prepararia um cafezinho ou uma boa xícara de chá e conversaria longamente com ela.
Por certo ela me contaria, a princípio com algum constrangimento, o motivo de sua visita. Pacientemente eu a escutaria para entendê-la: talvez ela chorasse ao se despir do pudor.
Posso supor que eu também choraria.
Quando nossas lágrimas estivessem mais raras, eu a convidaria para um passeio pelo meu interior. Mostraria meu jardim e as flores que consegui cultivar, apesar dos tempos nublados.
Depois a levaria até o quarto de dormir e a deitaria numa cama acolhedora para que descansasse.
Pé ante pé sairia do quarto, não sem antes fechar as janelas e apagar todas as luzes.
Voltaria para a sala e, sozinha, velaria por ela durante toda a noite.
Ao amanhecer nos encontraríamos na sala novamente e eu a veria transformada, iluminada.
Sem dizermos mais nada, e pelo meu silêncio fazendo-a entender, ela partiria, deixando em seu lugar uma compreensão nostálgica.
Sem demora, eu correria até a janela para ainda vê-la sumir.
Se não a acolhesse ao assomar à minha porta, sei que por sua natureza ela se tornaria minha sombra sempre que o sol tentasse iluminar minha alma

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Na mala
Importa
o que tem
o que tira
o que deixa.
Mala
no chão

Imagem autoral
O pinto pia
O gato mia
A‘strela guia.
A moça espia.
A velha fia
A mãe paria.
A flor abria
O sol ardia
Roda cutia.
Vida inicia
Soberania
Lucro, euforia
Explode a cria
É fantasia.
Levanta o dia
Pneumonia
Nada comia
Hipertermia
Foi boemia
Quando chovia.
Vai à abadia
Nest’ agonia
Tudo ironia
Monotonia
O mundo ardia
Hemorragia.
Da ventania
A sinfonia
A morte ria...
Ele a seguia.

Imagem: Composição visual criada por IA à partir de conceito autoral

Nasceram um para o outro e nada mais.
Conheceram-se na escola, na quinta série, e fizeram todo o curso primário juntos. Desde cedo, ajudavam-se nos estudos.
Ao final do secundário, já se amavam e decidiram cursar a mesma faculdade.
Juntos cursaram todas as cadeiras, passaram em todas elas e concluíram o curso no mesmo semestre.
Enquanto faziam a faculdade, definiram o futuro: abririam uma empresa própria e a cada um, sua atribuição específica. Não contratariam sócios nem funcionários para terem independência.
Também durante a faculdade marcaram a data do casamento para logo depois da formatura.
De mãos dadas, com passos rápidos e firmes, atravessaram o palco para receber o diploma, e fizeram um discreto cumprimento de cabeça em direção à plateia.
Vaidosos, os pais organizaram uma confraternização simples e festiva para receber os parentes e amigos.
Logo no início da festa, os jovens anunciaram o noivado e trocaram alianças compradas com muito orgulho pelo pai do noivo.
Seis meses depois, dentro de uma pequena capela com poucos convidados, as alianças que estavam na mão direita passaram para a mão esquerda.
Foi só então que começaram os preparativos para a abertura da empresa.
Mais seis meses e a empresa estava aberta: trabalhavam com afinco.
Estipularam um horário para trabalhar, um horário para o lazer e um para o descanso.
Seguiam à risca os horários, desde o início da manhã de segunda até o final do dia de domingo.
A empresa começou a dar lucro.
Eles continuaram sem esmorecer.
Passados dois anos, a empresa já estava relativamente consolidada: conquistara alguns clientes fiéis.
No final desse prazo ela disse a ele que estava grávida, o que não era novidade: também isso seguia a cronologia que traçaram para suas vidas.
Eles eram seus próprios patrões e a empresa, gerida de casa, favorecia a organização.
Por isso, após o parto, ela passaria a trabalhar meio período, até que a criança começasse a engatinhar.
Seis meses depois ela pôde trabalhar, não mais seis horas, mas oito horas por conta do bom desempenho da criança. Quando havia grande necessidade ou algum imprevisto, ela pôde se dar ao luxo de trabalhar até dez horas.
Dois anos depois, ela anunciou outra gravidez, já esperada pelo casal e por todos os quatro avós.
Todos torciam para que agora a criança fosse do sexo oposto ao da primeira.
Sete meses e meio se passaram e a criança veio com o sexo desejado.
Todos comemoraram com satisfação: agora eles tinham um casal de filhos.
A empresa continuava bem. Não era uma empresa de renome, mas não era insignificante em seu segmento. Tinha alguns clientes importantes e o casal se desdobrava em atendê-los bem.
Criaram algumas amizades sólidas, inclusive com alguns clientes.
Dois casais de amigos foram escolhidos e convidados para serem os padrinhos de batismo do segundo filho.
No dia do batismo, na igreja, todos cantaram, rezaram e comemoraram no restaurante.
Cinco anos depois, terminaram de pagar a casa própria de dois andares, com três suítes mais um quarto completo de hóspedes que ficava no térreo, ao lado de um quartinho onde guardavam apenas coisas inúteis.
Nesse ano também o filho mais velho entrou na escola.
Um ano depois, os pais foram chamados no colégio para serem parabenizados pelas boas notas e bom comportamento do filho.
No ano seguinte, o segundo filho, uma menina, entrou para o maternal. Os avós ficaram desolados por perderem a responsabilidade diária.
Quinze anos depois, o mais velho terminou o curso profissionalizante e na formatura, onde os pais não estavam, ele anunciou o noivado com uma colega que ninguém conhecia: trocaram alianças de prata, simbolizando apenas um compromisso mais sério.
No mesmo dia, depois da festa, a irmã fugiu com o professor do primeiro ano de faculdade. Trinta dias depois ela finalmente deu notícias dizendo que estava na Europa com o professor e que tudo estava muito bem.
Três anos depois, a mãe morreu de infarto e seis meses depois o pai morreu de AVC.
Seis meses depois, os bens foram vendidos.
Seis meses depois, o valor foi dividido igualmente entre três: filho, filha e advogado.

Poemas Breves
Escrevo como quem aprende a dizer.
Estes textos não nascem prontos, nem pretendem ser grandes. São registros de um olhar em construção — pequenos momentos, pensamentos, tentativas.
Durante muito tempo guardei tudo por medo do erro. Hoje, com mais liberdade, escolho compartilhar o que considero mais vivo, mesmo que ainda imperfeito.
Aqui há cenas, restos, palavras que ficaram. Há também dúvidas, silêncios e um esforço contínuo de nomear o que sinto e vejo.
Este espaço é parte de um caminho: aprender a dizer.
Árvore frondosa
Galhos balançam
Vento ou passarinho
Árvore caduca
Passarinho
Canta ao sol
Latido de cão
Passarinho voou
Todos atentos
Florzinha amarela
Pétala andante
Barco balança
Nas ondas do mar
Sol de verão
Ondas do mar
Barco apoitado
Sol de verão
Sol
Pela fresta
Vitamina D
Deitei os olhos
No livro
Amanheceu
Rompe o dia
Apneia
Taquicardia
Corpos aceitam
Longas horas de sol
Final de verão
Fim de tarde
Mar sereno
Leve brisa
Corpos ao sol
Foram-se todos
Ficaram as palavras
Nas cadeiras
Foram-se todos
Ficaram as palavras
E as cadeiras
Sobre a mesa
Caderno
Caneta
Sem ideia
Primavera florida
Até cadeira olha
Pela janela
Costuro poemas
Penduro
Na janela
Penduro poemas
Que na janela
Costuro
Autocentrada
Leio-me
Indefinidamente
Olhar um
Livro pelas frestas
Suscita
Mau aconselhamento
Ler um
Livro pelas frestas
Mau conselho
A noite
Ilumina
O dicionário
De noite
A lâmpada ilumina
O dicionário
Lua tristonha
Vem namorar
Meus poemas
Contemplação
Paz
Coração leve
Sentimento vazio
De palavras
Sentimento vazio
Calço os chinelos de pano
Chego à janela
Vejo o mundo
Espio o horror
Fecho os postigos que se batem
Puxo as cortinas
Acendo as velas do candelabro
Chopin ou Mozart?
Vou até a lareira
Coloco uma acha de lenha
Reavivo as línguas de fogo
Contemplo a gata dormindo no sofá
Vou até a cristaleira
Pego uma taça
Abro uma garrafa de vinho
Volto à lareira
Tiro o casacão
Agacho-me ao pé do sofá onde está minha gata
Coloco no chão a taça e a garrafa
Vou até a estante
Pego o livro deitado na frente dos outros
Coloco-o no chão junto à taça e à garrafa
Busco almofadas dispostas no sofá
Ouço o crepitar da lenha me chamando
E os gritos dos seres além de meu postigo
Vou até a vitrola
Escolho um disco entre alguns nos escaninhos
Pego o braço da agulha
Empurro-o para trás
Vejo o prato girar - o prato gira lentamente
A rotação aumenta
Cai o vinil
Coloco a agulha na primeira ranhura
Ouço o silêncio perfeito criado pela minha apneia
Espero
A música se impõe aos gritos apavorantes dos transeuntes, atrás do postigo
Volto ao tapete em frente à lareira
Inclino-me
Sento no chão
Pego meu livro
Analiso a capa
Aliso seu volume acetinado
Releio a contracapa
Percebo novamente a música a se sobrepor aos barulhos das sirenes do outro lado do postigo
Ergo a garrafa
Ergo a taça
Despejo um pouco de vinho cor de sangue na taça
Giro o copo
Analiso o anel colorido deixado pelo vinho nas paredes da taça
Inspiro seu buquê suave
Lembro-me do sangue derramado na rua em frente à minha janela
Sinto o cheiro ácido-oxidado do sangue livre
Volto à suavidade da música
Ao perfume do vinho
Ao toque macio no livro
Ao divino sabor da uva transformada em vinho
Lembro-me dos seres transformados em feras do outro lado do postigo
Acomodo-me entre as almofadas
Aqueço-me diante da lareira
Lembro-me dos mendigos acomodados nas calçadas
Minha gata pula do sofá
Aproxima-se de mim
Ronrona
Estico a mão
Aliso sua cabeça macia e peluda
Ela devolve-me com um giro de corpo
Lembro-me das crianças retorcidas do outro lado do postigo
Inclino a taça
Inspiro novamente o buquê do vinho
Bebo um gole
Lembro-me da sede entre homens do outro lado da minha janela
Abro o livro
Busco a marca onde parei
Reclino a cabeça
Fecho os olhos
Ouço a música suave
Sinto a gata do meu lado
Toco os contornos do livro
Percebo meu coração parando
Ouço ao longe os últimos pedidos de socorro
Crianças chorando
Homens esbravejando
Mulheres em histeria
Velhos em agonia
Respiro com dificuldade
Abro os olhos
Leio: “tudo é efêmero”,
Um gole de vinho
Uma nota musical
Um afago na gata
Uma dor no peito
Um golpe de ar apaga as velas do candelabro...
19.07.2015

.
“ Deixai qualquer esperança, vós que entrais ” – Dante.

Blumenau – 110 pessoas chegaram…
.

Quem eram essas 110 pessoas para além…
.
..

… além do que poderíamos ver na carne?
Blumenau (1859 - 1950): A História quase perdida
“ Deixai qualquer esperança, vós que entrais ” - Dante.
Cento e dez pessoas chegam numa tarde de verão ou inverno, no obscuro futuro da esperança para alguns, tragédia para outros, acampam, misturam-se e somam-se aos 17 que ali estavam. Quem eram essas 110 pessoas para além do que poderíamos ver na carne? Homens, mulheres, crianças dentro e fora da barriga, agarradas ao peito, na mão, na saia, nas pernas dos de cabelos louros ou castanhos, olhos azuis, calças de tecido, saias compridas, tamancos, chinelos, botinas, fraldas, bicos, bolsas, malas de madeira, de papelão, sacos de pano, lenços na cabeça, fitas de cetim, chapéus redondos, ovais, bicudos, pretos, tragédia no olhar, mosquito, suor a escorrer no rosto, no pescoço, no sovaco, nas costas, entre as pernas, na alma que tremia febril pelo espanto, pela insegurança, pelo medo. Pela tragédia do sarampo, da gripe, da malária, da febre sem sentido, da gravidez em seu fim, pelo parto mal sucedido, pela morte da mãe, pelo desespero da criança que ficará sem mãe, sem rumo, sem pátria, sem infância, sem juventude, para enfim casar e filhos ter para cuidar e dividir a terra que é enorme, gigante, ao lado do rio cheio de mistérios, peixes abundantes nunca vistos, serpenteando a mata cheia de madeira, de animais ferozes, de frutas exóticas e abundantes como a banana, a laranja, o abacaxi, que de seu suco se extrai o mais rico sabor que a terra já produziu. Além de milho, feijão, batata, farinha, cevada para cerveja que virá acompanhada do humor alemão, além da dança que já está, como também a língua materna que se transformará em dialeto em muitos lugares por onde estes homens, 110 homens, colocarem seus pés, seus filhos, seus sonhos, seus netos com suas esperanças de um dia voltarem a ver a pátria amada ou ao menos retratá-la, homenageá-la nesta terra brasil acolhedora, ampla, vasta, imponente, inexplorada, dura, feroz e mansa no leito do rio, no leito de morte, no leito do berço que transformou o imigrante em brasileiro, em colono feito de uma nacionalidade por fora e de outra por dentro. Que se explica na música, na dança, no tiro ao alvo, no bolão, na comida, no sotaque, no nome Blumenau, Friedenreich, Franz, Müller, August, Braunschweig, chucruts, bier, strudell, polka, Franz e Frida que se amaram na primeira noite sob a lua, sob as estrelas, sob o sol e na noite de tempestade quando o rio encheu lavando e levando sonhos, esperanças, crenças no pastor da igreja que proferia Deus misericordioso, senhor do céu e desta terra abençoada por quem nunca nenhum deles viu, ouviu, apertou a mão, trabalhou junto, sonhou, sofreu, chorou, dançou a polka a embalar o filho, outro filho, outro filho que casará com a filha do ilustre Senhor que de colono passou a ilustre Senhor da casa grande construída ao estilo dos ancestrais alemães que nunca sequer sonharam em abandonar a terra pátria para irem além-mar, além do lugar onde o sol se põe em múltiplas cores encontradas nos trajes típicos alemães, prussianos, poloneses, austríacos misturados a dormirem juntos, a procriarem, a viverem e morrerem no mesmo chão de uma terra anteriormente longínqua, inóspita, selvagem, abundante em riqueza para os corajosos, para os destemidos homens, mulheres, crianças que choravam, trabalhavam, adoeciam, morriam de febre, de susto, de tifo, de mordida de cobra, macaco, jacaré, cachorro raivoso enterrado lado a lado com a criança recém batizada pelo padre que mora longe, que batiza, casa, dá a extrema unção aos que depois de tudo feito com obstinação por terem sido recebidos por poucos com alegria patriótica, militar, fraterna para comporem 127 homens com lotes já definidos, recebendo outros tantos homens, criando do nada uma comunidade, uma igreja, uma escola, uma professora, um escritor, uma cervejaria, um alambique, um engenho, duas atafonas de mandioca, mais cervejarias, um teatro, uma serraria, uma casa comercial, uma escola de arte, uma escola alemã, um hotel, um cemitério para que os primeiros que ali chegaram esperassem os 110 que ali chegariam e mais outros que lá nasceram e nem se criaram ou pouco se criaram junto com todos os louros de olhos azuis ou os nem tão louros de olhos azuis e os pardos e os negros e os índios botocudos ou não, que se diziam verdadeiramente brasileiros e deles julgavam que nada construíam apenas cantavam pelados, despudorados, sacudindo seus cocares, seus colares de sementes e penas, renegados por deus, que não gosta de gente pelada a não ser na barriga das mães parideiras anualmente pela graça do senhor do céu e pelo poder do Senhor da terra, da Frida, e da porca, da ovelha, da chinoca, da casa, do cavalo, do chiqueiro, da lavoura, da lei e da ordem de fazer e não fazer, do que vestir, comer, cantar, comprar, vender, ensinar, aprender, namorar, casar, e que depois virá outro Senhor a reforçar ou refazer as ordens, as desordens, as conquistas, as histórias escritas em tinta no papel, em luz no daguerreótipo, no desenho, na pintura, na xilogravura, na litografia, na escultura, na fotografia, na lembrança dos que ficaram, dos que ouviram dos que ali passaram, trabalharam, casaram ou não, dos que ali morreram ou voltaram para sua pátria, daquele que veio de São José da Terra Firme para condensar em livro os primeiros 100 anos da história de Blumenau, que nunca mais será perdida.
PS. “Rogamos às pessoas que receberem o presente número de jornal e não tiveram a vontade de ler, o obséquio especial de devolvê-lo”.
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PS. “Rogamos às pessoas que receberem o presente número de jornal e não tiveram a vontade de ler, o obséquio especial de devolvê-lo”.





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Texto inspirado na obra “Colônia de Blumenau no Sul do Brasil” – 1ª edição 2019 e Filme baseado no livro homônimo, de Gilberto Schmidt-Gerlach, Bruno Kilian Kadletz e Marcondes Marchetti .
Por trás dos montes espia
Outras almas a brincar
Por trás dos montes expia
Vendo almas a cantar
Atrás dos montes se esconde
Esta alma a esperar.

És tu, pro Inferno!
Viagem além do horror
Dentro de si
Busca incauta
De ser outra,
De estar em outra.
Desgrudar
A pele
Pegajosa,
Putrefata,
Ulcerada.
Liberdade
Acalentada
No esquecimento
Do beijo ensanguentado,
Da mão varicosa,
Do olhar lodal.
Vida pelo final.
Muda canção de ninar,
Ciranda de roda de uma só
Infância esquartejada:
Vida em morte,
Morta.

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Nos dias 1 e 2 de Abril de 2017, participei da 23ª Maratona Fotográfica de Florianópolis. Continue lendo “Maratona Fotográfica Florianópolis – 23ª”




























Era uma vez uma grande explosão de amor.
Era uma vez uma criança que brincava de lojinha.
Era uma vez uma menina que morava na imaginação e sonhava no compasso do relógio.
Era uma vez uma mulher que aprisionou as palavras e as imagens, por longos anos.
Era uma vez uma vida feita com mais de 22 mil dias.
Mas agora não mais “Era uma vez”…
Palavras e imagens não eram uma vez mas, o reinventar da vida eternamente.
Pensando assim quero mostrar meu olhar através da fotografia e da palavra.
A fotografia contemplativa tem me mostrado que é possível romper-se com as formas tradicionais de olhar e, desprendendo-se do belo padronizado, encontrar emoção e beleza em cenas triviais que, muitas vezes, estão bem próximas de nós.
A palavra, em mim, é instrumento para me multiplicar quando sou abduzida pela contemplação. E ela vem em infinitas formas. O Haikai e a poesia chinesa despertam em mim este momento onde o quase nada reverbera em uma profusão de emoções translúcidas.
Por talvez ainda morar na imaginação e sonhar no compasso do relógio, estou aqui, nesta plataforma, que nada mais é do que morar numa imaginação no compasso de um grande relógio, brincando de lojinha para explodir de amor.
“Era uma vez”… morava na imaginação e sonhava no compasso do relógio
Meu nome é Rita Marília Tomaschewski Signorini, nasci em 1955 e moro em Florianópolis (SC). Sou presa ao mar porque talvez nasci em Rio Grande(RS), e pretendo jamais me separar dele.
Escrever e fotografar sempre estiveram em mim como apaziguadores dos meus devaneios.
Começando a voar… 20.08.2017-11:36
