A Pedra e o Caminho
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio da pedra tinha um caminho
No caminho tinha meia pedra
Tinha um meio entre a pedra e o caminho
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Quando a pedra atrapalhou meu caminho
Meu caminho que não era de pedra
Nem de meias pedras, nem de meios caminhos
Recadinho para Mário Quintana
Meu tempo
Também passará
Passarinho!
Apenas penas
Ficarão
Do meu caminho
Entre Pedras e Penas
A melhor parte da chegada
É o caminho
Com pedra ou sem pedras
Com pena ou sem penas
Um caminho de pedras e penas.
Minha pena corre
E não tropeça na pedra

Há encontros que não são planejados — acontecem.
Um poema chama outro. Uma pedra chama um caminho. Uma pena pousa onde antes havia obstáculo. O que começou como diálogo com vozes que admiro tornou-se percurso próprio. Percebi que os três textos não estavam lado a lado por acaso: eles se movem. Do peso à leveza. Da lembrança à escrita. Do tropeço à maturidade. Hoje assumo essa travessia. Entre pedras e penas, a palavra segue. E não tropeça.










































