Atrás da moça
Passante
Cabelo
Dançante Dançante
Passou
sou
ou
u
......................................................
Autora: Rita Marília

Foto autoral de Rita Marília
Atrás da moça
Passante
Cabelo
Dançante Dançante
Passou
sou
ou
u
......................................................
Autora: Rita Marília

Foto autoral de Rita Marília
Um elefante na mata é um elefante na mata.
A mata contém um elefante e pode conter dois elefantes.
Dois elefantes na mata são dois elefantes na mata, mas, para a mata, dois elefantes são iguais a um elefante, que pode ser nenhum elefante.
Porém, se o sol bate nos dois elefantes que caminham fora da mata, então teremos quatro elefantes, ou dois pares de elefantes caminhando juntos.
Quando se veem dois pares de elefantes, com o sol a pino sobre eles, pode-se dizer que existem dois pares de elefantes, em que um carrega o outro, e de uma forma muito estranha: o menor carrega o maior.
Mas, se a noite vem, dois elefantes desaparecem e ficam apenas dois. Ou, se a noite é sem estrelas, pode-se dizer que não há nenhum elefante, dentro ou fora da mata, e a mata continuará sendo mata, com ou sem elefante.
Um elefante com a tromba para cima continua sendo um elefante com a tromba para cima, mesmo que esteja dentro da mata ou fora da mata.
Porém, se houver dois elefantes com a tromba para cima, poderá se dizer que existe um par de elefantes com a tromba para cima.
Caso os dois elefantes com a tromba para cima estejam sob o sol da manhã, pode-se dizer que há dois pares de elefantes com a tromba para cima. Porém, se for o sol a pino sobre eles, então haverá dois elefantes sem a tromba para cima carregando dois elefantes com a tromba para cima.
Nesse momento, em que o sol está a pino e os elefantes sem a tromba para cima carregam os elefantes com a tromba para cima, a mata continua sua história milenar e imutável de mata.
Havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, o importante é que você leu e entendeu que, havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, a mata é a mata e nada muda o estado da mata.
"Você chegou até aqui. Agora, para sair ileso da mata, tente livrar-se dos elefantes."
Autora: Rita Marília
25/06/2026

Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
De repente o horizonte anunciou um temporal.
As árvores balançaram suas cabeleiras pondo muitos ninhos ao chão.
Depois o silêncio e, no horizonte, o manto cinza começava a se estender sobre o oceano em nossa direção.
... e nenhum pássaro voou.
Tudo era calmaria: assustador.
Víamos o céu a se matizar do cinza ao chumbo, do chumbo ao breu.
... e veio vindo, silencioso, rápido, deslizando como cobra ao bote.
Assustados, paramos e aguardamos o fim com o coração batendo no mesmo compasso dos relâmpagos que, agora, clareavam o que já não se via.
Ficamos petrificados, depois impotentes como folhas ao vento.
… e o silêncio virou sinfonia de tambores e da sinfonia, o caos.
... e agora estava sobre nossas cabeças e gritava e gargalhava e chicoteava e nos sacudia e nos horrorizava
... e perdendo a visão, entramos a entender o inferno, a nos questionar, nos arrepender, a nos purificar, a nos abençoar.
... e aquele manto nos cobriu.
... e nada mais soubemos da vida.
Autora: Rita Marília
27/12/2017

Foto autoral de Rita Marília
Na calada do dia
Quando a morte se fez fria
Fui embalada na sombra
Do teu abraço de despedida
Morrestes.
Morri contigo.
Estava na hora de perceber
Quanto eras minha vida,
Sangrar o coração aflito
Para aceitar tua partida.
Ledo engano!
Vinte anos depois
Tua morte
A sangrar meu coração aflito
Sem poder aceitar tua partida
Morrestes.
Sim, eras minha vida.
Continuo morrendo contigo
Em pequenos pedaços,
Em lânguida agonia!
Autora: Rita Marília
15/01/2006

Foto autoral de Rita Marília
20/06/2026
O Esquilo tranquilo
Cheio de estilo
Comeu o Seu Grilo
Que era pupilo
Do Seu Crocodilo
Ficou o Esquilo
Olhando para aquilo
Comer outro grilo
Ou sapo a quilo?
O Seu Crocodilo
Morava no asilo
Boiava no Nilo
Depois de um cochilo
Ficou muito fulo
Porque o Seu Grilo
Era como seu filho
Questiona o vacilo
Por que fez aquilo?
Manteve o Esquilo
Segredo em sigilo
O Seu Crocodilo
Chamou Seu Danilo
- Abra o Esquilo!
Achou o Seu Grilo
Em seu grugumilo
Porque fez aquilo
Com o pobre Grilo
Malvado Esquilo?
- Di-lo:
- Fi-lo porque qui-lo
... E fugiu o Esquilo
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Autora: Rita Marília
junho/2026

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Eu sou bocó. E você? Já sabe contar até dez?
Quando me escondo na lua de lata e o vento me empina como pandorga, minha cabeça salta de estrela em estrela para pegar uma e amarrar na cabeleira do cometa.
Minha mãe disse que salada de fruta faz bem, por isso, à tardinha, vou chupar manga embaixo do pé de banana.
Contei para o tio que pintei meu dedo de preto para assustar meu irmão, dizendo ter um dedo a menos. Então o tio disse que à noite, quando o dia fica preto, muita coisa desaparece; fui correndo me esconder embaixo da cama, achei a boneca e descobri que era ali que as coisas desaparecidas ficam.
Nós estávamos todos comendo na cozinha quando entrou um homenzinho de chapéu e tudo. Meu pai não gostou, fechou o livro e o homenzinho desapareceu. Minha mãe bocejou e minha irmã foi chorar dentro do roupeiro, para não ver o rio de sangue. Eu fiquei rindo porque minha irmã não sabe que chorar também faz rio.
Minha mãe é que sabe das coisas: quando ela quer que algo desapareça, ela fecha os olhos.
Eu tenho um saco cheio de bolinhas de gude e uma delas chama “olho de gato”. Minha prima queria, mas não quis mais, porque eu disse que o olho não enxergava nada, então ela ficou contente.
Quem é bocó corre atrás dos versos e salta por cima dos números ímpares. Quem não é, sabe contar até dez.
Minha trisavó é vizinha de um tal homem de barro chamado Manuel. Ela disse que ele disse que eu sou bocó porque minha alma não expandiu ainda.
(Autora: Rita Marília)
24/05/2017

Fotógrafa: Rita Marília ( Em dia de bocó 13/01/2017 ) comentado em: https://luizcarlosamorim.blogspot.com/2017/09/o-cheiro-da-poesia-ou-como-ser-boco.html
Boa tarde amiga do céu
Mande notícias
Aqui tudo igual
Mesmo jeitinho
Nem lá nem cá.
No meio
Impossível
Lá ou cá
Sem saída
Sem entrada
Seguindo sempre
Pé lá
Pé cá
Só cuidando
Para não exagerar
(Autora: Rita Marília )
11/05/2026

Fotógrafa: Rita Marília
Voltar ao simples
Simples respirar
Respirar sem mais nada
Nada desejar
(Autor: Rita Marília)
setembro / 2015

Fotógrafa: Rita Marília
No livro
Cabe
Palavras
Pedras
Gotas
Uma estrela
Um cometa
No livro
Coube
O beijo da partida
O olhar numa lágrima
Teu corpo
Minha vida
O intangível...
... minha sombra.
No livro cabe o mundo.
O silêncio do mundo
O rufar dos tambores
O tufão
O furacão
Apocalipse
Só não coube o nosso adeus.
(Autora: Rita Marília)
22/12/2018

Foto: Fotógrafa Rita Marília
Sou lua
Cheia
Minguante
Sou nova
Você me olha
No quarto
Crescente
Cheia
Minguante
Sua amante.
(Autora: Rita Marília)
28/06/2017

Foto: Fotógrafa Rita Marília
Minha vida é caminho
Só caminho
Se posso, escolho
Chão batido
Árvores
Canto de passarinho
Se não
Calço as pantufas
Desenho um assobio
E vou como posso
Autora: Rita Marília
18/11/2017

Fotografia autoral de Rita Marília
Eles não pedem permissão.
Mil sons gritam em minha cabeça
É ensurdecedor
Tonta, jogo-me de um a outro
Salve-me, Deus
Sou do Teu rebanho
Não sei por que derramas
Tua ira
A noite vem
A loucura cresce
Sozinha, incapaz
Vampiros sugam minh'alma
Debaixo do meu teto
Riem, dançam, rodopiam
Olhos vermelhos
Sangue a escorrer
Pela boca
Tapo os ouvidos
Fecho os olhos
Eles adentram
Pelos poros
Silêncio
Os anjos dormem
Os demônios se divertem
Não estou em mim
Loucura ou demônio
Apossaram-se de mim
Rio, danço, rodopio
Não sou mais
Autora: Rita Marília
03/07/2015

Foto autoral de Rita Marília
Pão pão barrigão
Fermento no pão
faz pãozão
come quentinho
dá barrigão
vovó dizia
pro seu João
Pão pão
pão barrigão
Pão pão
pão barrigão...
(Autora: Rita Marília)
Maio/2026

No seco do meu coração
Plantei.
Nasceu cacto
Regador sem furo
Reguei
Sol forte
Protegi
A mim e a meu cacto
Desmaiei.
Alguém
Levou meu cacto
Fiquei no seco.
No seco fiquei.
(Autora: Rita Marília)
19/07/2016

Fotografia autoral de Rita Marília

Nem sei por que eu escrevo
Escrevo porque já senti
Um fogo imenso infinito
Rodando dentro de mim
Escrevo porque não posso
Falar do que vai em mim
Só palavras escritas podem
Levar o meu querubim
E sigo neste deleite
Sabendo quem me traduz
O som de uma palavra
Na boca de quem a conduz
Não posso fugir confesso
Dos sons desta balada
Prefiro morrer à míngua
Que ser dela enviuvada
Passei um tempo infeliz
Longe da valsa dolente
Meus ais todos ausentes
Com olhos de meretriz
Disseram-me: "vai por aqui"
Ou talvez "vá por ali"
O mundo a nada conduz
Eu pobre morria em cruz
Nada de belo olhei
Nada de sonho sonhei
Nada aqui eu conquistei
Nada ali eu revelei
Tristes dias de clausura
De boca amarga fiquei
Minhas palavras trancadas
Nos sonhos que não sonhei
Agora voem meus sonhos
Estendam as asas, meus ais
Buliça, minha alegria
E da pena vos derramais
Nunca mais volto a cabeça
Nunca mais mulher de sal
Hoje sou o sol e a lua
Hoje sou na pedra a cal.