Livro aberto
Palavras
Brincam solitárias
Correm
Pulam
Se escondem
Se aproximam
Formam pares
Se conjugam
Formam tribos
No coração distraído
Novas emoções
Autora: Rita Marília

Fotografia antiga pertencente à autora
Livro aberto
Palavras
Brincam solitárias
Correm
Pulam
Se escondem
Se aproximam
Formam pares
Se conjugam
Formam tribos
No coração distraído
Novas emoções
Autora: Rita Marília

Fotografia antiga pertencente à autora
Desculpa, hoje eu te traí.
E te traí com aquele homem elegante
Te traí com aquele sonho alucinante
Te traí com o teu eco
Com o teu espectro
Com o teu reflexo.
Desculpa, hoje eu te traí.
E te traí totalmente
Completamente
Dançando com o teu fantasma
Beijando tua sombra
Amando tua lembrança.
E te traí muito
E me deleitei
E ri muito
Porque finalmente
Enlouquecidamente
Hoje eu te traí.
Autora: Rita Marília
07/12/2007

Fotografia Autoral de Rita Marília
Um elefante na mata é um elefante na mata.
A mata contém um elefante e pode conter dois elefantes.
Dois elefantes na mata são dois elefantes na mata, mas, para a mata, dois elefantes é igual a um elefante, que pode ser nenhum elefante.
Porém, se o sol bate nos dois elefantes que caminham fora da mata, então teremos quatro elefantes, ou dois pares de elefantes caminhando juntos.
Quando se veem dois pares de elefantes, com o sol a pino sobre eles, pode-se dizer que existem dois pares de elefantes, em que um carrega o outro, e de uma forma muito estranha: o menor carrega o maior.
Mas, se a noite vem, dois elefantes desaparecem e ficam apenas dois. Ou, se a noite é sem estrelas, pode-se dizer que não há nenhum elefante, dentro ou fora da mata, e a mata continuará sendo mata, com ou sem elefante.
Um elefante com a tromba para cima continua sendo um elefante com a tromba para cima, mesmo que esteja dentro da mata ou fora da mata.
Porém, se houver dois elefantes com a tromba para cima, poderá se dizer que existe um par de elefantes com a tromba para cima.
Caso os dois elefantes com a tromba para cima estejam sob o sol da manhã, pode-se dizer que há dois pares de elefantes com a tromba para cima. Porém, se for o sol a pino sobre eles, então haverá dois elefantes sem a tromba para cima carregando dois elefantes com a tromba para cima.
Nesse momento, em que o sol está a pino e os elefantes sem a tromba para cima carregam os elefantes com a tromba para cima, a mata continua sua história milenar e imutável de mata.
Havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, o importante é que você leu e entendeu que, havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, a mata é a mata e nada muda o estado da mata.
"Você chegou até aqui. Agora, para sair ileso da mata, tente livrar-se dos elefantes."
Autora: Rita Marília
25/06/2026

Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Eu sou bocó. E você? Já sabe contar até dez?
Quando me escondo na lua de lata e o vento me empina como pandorga, minha cabeça salta de estrela em estrela para pegar uma e amarrar na cabeleira do cometa.
Minha mãe disse que salada de fruta faz bem, por isso, à tardinha, vou chupar manga embaixo do pé de banana.
Contei para o tio que pintei meu dedo de preto para assustar meu irmão, dizendo ter um dedo a menos. Então o tio disse que à noite, quando o dia fica preto, muita coisa desaparece; fui correndo me esconder embaixo da cama, achei a boneca e descobri que era ali que as coisas desaparecidas ficam.
Nós estávamos todos comendo na cozinha quando entrou um homenzinho de chapéu e tudo. Meu pai não gostou, fechou o livro e o homenzinho desapareceu. Minha mãe bocejou e minha irmã foi chorar dentro do roupeiro, para não ver o rio de sangue. Eu fiquei rindo porque minha irmã não sabe que chorar também faz rio.
Minha mãe é que sabe das coisas: quando ela quer que algo desapareça, ela fecha os olhos.
Eu tenho um saco cheio de bolinhas de gude e uma delas chama “olho de gato”. Minha prima queria, mas não quis mais, porque eu disse que o olho não enxergava nada, então ela ficou contente.
Quem é bocó corre atrás dos versos e salta por cima dos números ímpares. Quem não é, sabe contar até dez.
Minha trisavó é vizinha de um tal homem de barro chamado Manuel. Ela disse que ele disse que eu sou bocó porque minha alma não expandiu ainda.
(Autora: Rita Marília)
24/05/2017

Fotógrafa: Rita Marília ( Em dia de bocó 13/01/2017 ) comentado em: https://luizcarlosamorim.blogspot.com/2017/09/o-cheiro-da-poesia-ou-como-ser-boco.html
Formiga peralta
Subiu, subiu
Subiu na colher
Escorregou…
Caiu! Caiu!
Que bela piscina!
Gritou a formiga
Nadava, nadava
Comia, comia
Comia e nadava
Nadava e comia
Ficou o dia todo
Se lambuzou
Patinhas, carinha
Grudou, grudou
Cristalizou!
Dormiu a formiga
No açucareiro
Mas quando acordou
Tava no formigueiro
Inteiro!
(Autora: Rita Marília)
Maio/2026

Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral