Um elefante na mata é um elefante na mata. A mata contém um elefante e pode conter dois elefantes. Dois elefantes na mata são dois elefantes na mata, mas, para a mata, dois elefantes são iguais a um elefante, que pode ser nenhum elefante. Porém, se o sol bate nos dois elefantes que caminham fora da mata, então teremos quatro elefantes, ou dois pares de elefantes caminhando juntos. Quando se veem dois pares de elefantes, com o sol a pino sobre eles, pode-se dizer que existem dois pares de elefantes, em que um carrega o outro, e de uma forma muito estranha: o menor carrega o maior. Mas, se a noite vem, dois elefantes desaparecem e ficam apenas dois. Ou, se a noite é sem estrelas, pode-se dizer que não há nenhum elefante, dentro ou fora da mata, e a mata continuará sendo mata, com ou sem elefante. Um elefante com a tromba para cima continua sendo um elefante com a tromba para cima, mesmo que esteja dentro da mata ou fora da mata. Porém, se houver dois elefantes com a tromba para cima, poderá se dizer que existe um par de elefantes com a tromba para cima. Caso os dois elefantes com a tromba para cima estejam sob o sol da manhã, pode-se dizer que há dois pares de elefantes com a tromba para cima. Porém, se for o sol a pino sobre eles, então haverá dois elefantes sem a tromba para cima carregando dois elefantes com a tromba para cima. Nesse momento, em que o sol está a pino e os elefantes sem a tromba para cima carregam os elefantes com a tromba para cima, a mata continua sua história milenar e imutável de mata. Havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, o importante é que você leu e entendeu que, havendo ou não elefantes, dentro ou fora da mata, com ou sem trombas para cima, sendo ou não carregados ou aos pares, a mata é a mata e nada muda o estado da mata. "Você chegou até aqui. Agora, para sair ileso da mata, tente livrar-se dos elefantes."
Autora: Rita Marília 25/06/2026
Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Quando me escondo na lua de lata e o vento me empina como pandorga, minha cabeça salta de estrela em estrela para pegar uma e amarrar na cabeleira do cometa.
Minha mãe disse que salada de fruta faz bem, por isso, à tardinha, vou chupar manga embaixo do pé de banana.
Contei para o tio que pintei meu dedo de preto para assustar meu irmão, dizendo ter um dedo a menos. Então o tio disse que à noite, quando o dia fica preto, muita coisa desaparece; fui correndo me esconder embaixo da cama, achei a boneca e descobri que era ali que as coisas desaparecidas ficam.
Nós estávamos todos comendo na cozinha quando entrou um homenzinho de chapéu e tudo. Meu pai não gostou, fechou o livro e o homenzinho desapareceu. Minha mãe bocejou e minha irmã foi chorar dentro do roupeiro, para não ver o rio de sangue. Eu fiquei rindo porque minha irmã não sabe que chorar também faz rio.
Minha mãe é que sabe das coisas: quando ela quer que algo desapareça, ela fecha os olhos.
Eu tenho um saco cheio de bolinhas de gude e uma delas chama “olho de gato”. Minha prima queria, mas não quis mais, porque eu disse que o olho não enxergava nada, então ela ficou contente.
Quem é bocó corre atrás dos versos e salta por cima dos números ímpares. Quem não é, sabe contar até dez.
Minha trisavó é vizinha de um tal homem de barro chamado Manuel. Ela disse que ele disse que eu sou bocó porque minha alma não expandiu ainda.