Se a tristeza batesse à minha porta, com um tímido sorriso eu abriria e a deixaria entrar. Convidaria para sentar no sofá da sala; prepararia um cafezinho ou uma boa xícara de chá e conversaria longamente com ela.
Por certo ela me contaria, a princípio com algum constrangimento, o motivo de sua visita. Pacientemente eu a escutaria para entendê-la: talvez ela chorasse ao se despir do pudor.
Posso supor que eu também choraria.
Quando nossas lágrimas estivessem mais raras, eu a convidaria para um passeio pelo meu interior. Mostraria meu jardim e as flores que consegui cultivar, apesar dos tempos nublados.
Depois a levaria até o quarto de dormir e a deitaria numa cama acolhedora para que descansasse.
Pé ante pé sairia do quarto, não sem antes fechar as janelas e apagar todas as luzes.
Voltaria para a sala e, sozinha, velaria por ela durante toda a noite.
Ao amanhecer nos encontraríamos na sala novamente e eu a veria transformada, iluminada.
Sem dizermos mais nada, e pelo meu silêncio fazendo-a entender, ela partiria, deixando em seu lugar uma compreensão nostálgica.
Sem demora, eu correria até a janela para ainda vê-la sumir.
Se não a acolhesse ao assomar à minha porta, sei que por sua natureza ela se tornaria minha sombra sempre que o sol tentasse iluminar minha alma
Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Mira teu castigo Eu Mira meus olhos Teus Mira minha boca Oca Mira meu pescoço Colosso Mira meus seios Cheios Mira minha cintura Pura Mira minha pele Desvele Mira meu ventre Entre Mira!
Cedo cedo coração com sede nessa sede Cedo cedo nessa sede coração com sede Cedo nesta sede cedo coração com sede Cedo cedo sede dum coração com sede Coração com sede cede cedo sua sede Cedo coração com sede cede sua sede.
Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral
Qualquer coisa é um nada Que devagar lentamente De nós vai se apoderando Pulsando Abrindo, fechando Se tornando Ser Crescente A nos envolver docemente Semente Eternamente
Senhor! Não olheis assim para mim Minhas rugas denunciam minha idade Mas, nem de longe, o meu desejo Pois que pode desnudar minha volúpia E buscar em vós o meu prazer.
Senhor! Ficais assim a instigar-me? Não sabeis então Que navega em vossos olhos A pretensão de minha boca?
Ora, Senhor meu! Não fiqueis a bulir Quem quieta está Quem sob o disfarce da Indiferença Cobre com panos gélidos A volúpia
Olhais, por certo, as mais moças Para mergulhardes no imaginário Onde o espelho do tempo vos mentirá Dizendo quem já não sois
Eu, Senhor meu, miro vossa estampa Vejo vossas rugas Percebo vossos contornos E imagino Ainda possuirdes Em vossas mãos o meu desejo A descobrir que a vida, Em velhas curvas sem beleza, Também pode levar-me, Em queda livre, ao prazer
Por isso Senhor meu! Conservai o vosso olhar no meu decote E percebei Minha respiração ofegante Lentamente ofegante Misteriosamente ofegante E concedei-me Bulir vossa íris Massagear vossa pupila E ver-me, e sentir-me Penetrada Pelo vosso olhar.
Então, Senhor meu! Grávida de vossos desejos Irei embora Vaidosa e confiante.
Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Feliz por ter sido incluído na revista “Chicos” conforme mensagem recebida
“Olá Rita,
teu poema chegou a Cataguases MG, pelo Fernando Abritta com a sugestão de publicação numa e-zine chamada Chicos que mantemos cá na terrinha. Li e gostei. Prontamente acatei a sugestão de publicá-lo. Só circulamos pela internet. ..(à págna 25). Segue o link da edição: Ler Aqui