Senhor!
Não olheis assim para mim
Minhas rugas denunciam minha idade,
Mas, nem de longe, o meu desejo
Pois que pode desnudar minha volúpia
E buscar em vós o meu prazer.
Senhor!
Ficais assim a instigar-me?
Não sabeis então
Que navega em vossos olhos
A pretensão de minha boca?
Ora, Senhor meu!
Não fiqueis a bulir
Quem quieta está
Quem, sob o disfarce da
Indiferença,
Cobre com panos gélidos
A volúpia.
Olhais, por certo, as mais moças
Para mergulhardes no imaginário
Onde o espelho do tempo vos mentirá
Dizendo quem já não sois.
Eu, Senhor meu, miro vossa estampa
Vejo vossas rugas
Percebo vossos contornos
E imagino
Ainda possuirdes
Em vossas mãos o meu desejo
A descobrir que a vida,
Em velhas curvas sem beleza,
Também pode levar-me,
Em queda livre, ao prazer.
Por isso Senhor meu!
Conservai o vosso olhar no meu decote
E percebei
Minha respiração ofegante,
Lentamente ofegante,
Misteriosamente ofegante,
E concedei-me
Bulir vossa íris
Massagear vossa pupila
E ver-me, e sentir-me
Penetrada
Pelo vosso olhar.
Então, Senhor meu!
Grávida de vossos desejos
Irei embora
Vaidosa e confiante.
Rita Marília
22.05.17

Imagem: composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Feliz por ter sido incluído na revista “Chicos” conforme mensagem recebida
