Se a tristeza batesse à minha porta, com um tímido sorriso eu abriria e a deixaria entrar. Convidaria para sentar no sofá da sala; prepararia um cafezinho ou uma boa xícara de chá e conversaria longamente com ela.
Por certo ela me contaria, a princípio com algum constrangimento, o motivo de sua visita. Pacientemente eu a escutaria para entendê-la: talvez ela chorasse ao se despir do pudor.
Posso supor que eu também choraria.
Quando nossas lágrimas estivessem mais raras, eu a convidaria para um passeio pelo meu interior. Mostraria meu jardim e as flores que consegui cultivar, apesar dos tempos nublados.
Depois a levaria até o quarto de dormir e a deitaria numa cama acolhedora para que descansasse.
Pé ante pé sairia do quarto, não sem antes fechar as janelas e apagar todas as luzes.
Voltaria para a sala e, sozinha, velaria por ela durante toda a noite.
Ao amanhecer nos encontraríamos na sala novamente e eu a veria transformada, iluminada.
Sem dizermos mais nada, e pelo meu silêncio fazendo-a entender, ela partiria, deixando em seu lugar uma compreensão nostálgica.
Sem demora, eu correria até a janela para ainda vê-la sumir.
Se não a acolhesse ao assomar à minha porta, sei que por sua natureza ela se tornaria minha sombra sempre que o sol tentasse iluminar minha alma
Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral.
Cedo cedo coração com sede nessa sede Cedo cedo nessa sede coração com sede Cedo nesta sede cedo coração com sede Cedo cedo sede dum coração com sede Coração com sede cede cedo sua sede Cedo coração com sede cede sua sede.
Imagem: Composição visual criada por IA a partir de conceito autoral