Prosa · Reflexões

Balanço

Cheguei na praia e lá estava um balanço, daqueles antigos feitos com corda e uma simples tabuinha. Não sei quem colocou. Sentei-me e balançando entendi, mais uma vez, a impermanência de tudo, a começar por ora estar mais à frente, ora mais atrás. Minha visão, também neste balançar, se modificava e dependendo da posição, ora via, ora não via. E mesmo nos momentos que via não me apropriava do conhecimento. Mas o balanço ia e vinha e deste tempo, quase uma vida, só guardei a emoção de vivermos a nos balançar diante da sabedoria Divina. Depois desci do balanço e diante de minha prepotente certeza dos meus pés firmes em solo, voltei para a caverna. 06.01.2021