Prosa · Reflexões

A Natureza das Coisas

É manhã… é cedo … é frio. 

O frio agasalha a casa onde dentro me acolho.

Lá fora, as árvores estáticas, os pássaros e as pedras não se conscientizam do frio.

Dentro, passo café, derramo na xícara e seguro-a com carinho, contornando seu corpo com meus dedos gelados. 

Ela possui algo que eu preciso e, em generosa troca, entrega-me, em abundância, todo seu calor: eu a esfrio esquentando minhas mãos.

Levo-a aos lábios e essa minha ação tira-a da inércia para, de acordo com sua natureza, doar seu calor e conteúdo sem nenhuma consciência, apenas seguindo as leis naturais.

Sinto-me aquecida e alimentada: ela está vazia e fria, … e o tempo passa.

Sobre a pia, com sobriedade, a garrafa térmica espera, guardando seu conteúdo com desvelo, mantendo o café quente em seu interior. 

Seguro-a nas mãos porém com a garrafa térmica não há trocas externas: seu exterior é frio; ela não é própria para contatos.

Sua missão é guardar a mensagem aquecida.

Sua natureza é doação sem troca

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