Prosa

A Tempestade

Não era nada além de um anúncio de temporal.

As árvores balançaram suas cabeleiras pondo muitos ninhos ao chão – a natureza nem sempre é pacífica.
Depois veio um silêncio ensurdecedor e, no horizonte, o manto cinza começava a se estender em direção ao oceano. E nenhum pássaro voou.
Tudo era calmaria, tudo era assustador.
Todos olhavam o céu se matizando do cinza ao chumbo, do chumbo ao breu.

… e veio vindo, silencioso, rápido, deslizante como cobra ao bote: éramos as vítimas.

Assustados, paramos e aguardamos o fim com o coração batendo no mesmo compasso dos relâmpagos que, agora, clareavam o que já não se via.
Ficamos petrificados e impotentes como folha ao vento.

… e o silêncio virou sinfonia de tambores e da sinfonia o caos.
… e agora estava sobre nossas cabeças, e gritava, e gargalhava, e chicoteava, e nos sacudia, e nos horrorizava.
… e perdendo a visão, entramos a entender o inferno, a nos questionar, a nos arrepender, a nos purificar, a nos abençoar.
… e aquele manto nos agasalhou.
… e nada mais soubemos da vida.

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