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A Arte de Infantilizar Formigas

“As coisas tinham para nós uma desutilidade poética.
Nos fundos do quintal era muito riquíssimo o nosso dessaber.
A gente inventou um truque para fabricar brinquedos com palavras.
O truque era só virar bocó.
Como dizer: Eu pendurei um bentevi no sol…
O que disse Brugrinha: Por dento de nossa casa passava um rio inventado.
O que nosso avô falou: O olho do gafanhoto é sem princípio.
Mano Preto perguntava: Será que fizeram o beija-flor diminuído só para ele voar parado?
As distâncias somavam a gente para menos.
O pai campeava campeava.
A mãe fazia velas.
Meu irmão cangava sapos.
Bugrinha batia com uma vara no corpo do sapo e ele virava uma pedra.
Fazia de conta?
Ela era acrescentada de graças concluídas….”

Do livro: LIVRO SOBRE NADA – Manoel de Barros
Editora Record – 13ª edição – 2008, página 11.

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